Ramacheng – BUDA, O Iluminado

A Mensagem Eterna dos Mestres

 

Estamos frente a estranha máquina. Estamos olhando para a tela onde coloridos
personagens se deslocam. O visor focaliza o espaço e o tempo desejados e ajustados por
minúsculos computadores que manipulamos. Até onde há de chegar o engenho
humano? Que falta ainda descobrir? Enquanto pensamos, ajustamos os dados do
computador e comandamos à máquina – Tempo: quinto século antes de Cristo, Espaço:
Encosta Sul do Himalaia.

As imagens giram fugazes, superpondo-se, até que vamos ajustando à encosta e
a um mosteiro que vemos. Subindo pelas colinas vem vindo um mendigo. Fixamos
nossa atenção naquele homem de feições finas e olhar penetrante. Traz nas vestes
pobres o sinal do voto, no rosto vibrante dois sinais contrários: se por um lado aparenta
provir de um mundo abastado e rico, por outro lado aparenta a tristeza de não encontrar
o que procura.

Há longos anos partiu sozinho.

Na noite imensa da mente humana, na noite cálida dos palácios e do fausto, na
noite do ócio e do tédio, um príncipe estava só. Partiu só. Pelos caminhos, pobre e
maltrapilho, caminhou só.

Que te faltava em teus palácios? Que procuras por tantas estradas cheias de
mendigos e de pó? Que procuras de mosteiro em mosteiro, entre yogues e falsos gurus?
Que procuras que não encontras?

Buscas a paz, a tranquilidade? Buscas a luta, buscas mais conflitos? Buscas o
mestre, buscas a fé? Buscas o abrigo, alimento, companhias?

Não! Este homem não busca nada que este mosteiro possa dar para matar a sua
fome e a sua sede. Não há no mundo quem o possa compreender nem quem lhe possa
responder. Já mil gurus antes desistiram e o mandaram seguir adiante. ‘’nada mais tenho
para te ensinar’’.

Este homem procura a Verdade.

Seu nome até esta data é Çaquia-Muni.

Vai entrando para o mosteiro onde irá meditar. Suas perguntas ele mesmo terá
que responder. Seus mestres lhe ensinaram a meditar: ‘’Estai vigilante. Ama a tudo e a
todos. Conhece teu interior. Concentra-te. Pratica as posturas perfeitas. Alimenta-te
frugalmente e só de vegetais. Atingirás o Samadhi’’.

Já muitas vezes experimentou o êxtase, mas, onde estava a Verdade? Estava
mais além e o Caminho infinito parecia. Por que o homem sofre tantas amarguras,
tantos tormentos, tantos conflitos? Por que há de nascer e renascer mais uma vez? Não
poderia libertar-se desse círculo atroz?

A meditação prosseguia. A noite sucede ao dia e o dia sucede à noite. A monção
seca , o vento leva e traz a monção de chuvas. Monção segue monção e meditação segue
meditação: qual a causa de todas as nossas atribulações? A resposta deve vir de dentro.
Çaquia-Muni olha para o abismo profundo de si mesmo e consegue responder: a causa
de nossos conflitos é o desejo, a ambição, o egoísmo. Se anularmos nossos desejos até
o último, até o mais íntimo e profundo, só assim atingiremos a libertação. Só quando
deixarmos diluir-se nosso último desejo é que ficaremos livres de nascer e renascer e
atingiremos o estado de bem-aventurança, a integração no Nirvana.

Longas noites, longos dias, longas monções decorriam e o pensador estava só. Já
disseram que um homem é um ser social e que só um deus ou um idiota conseguiram
estar sós indefinidamente.

Longas noites e longos dias pareceram curtos pois os desejos foram aquietando-se na longa meditação e por fim sentiu que havia um último desejo: o seu ‘’Eu’’ queria
ainda ter um nome. Ao aperceber-se, sem desejar, aboliu o nome, porém o ‘’Eu’’
profundo ainda queria viver após a morte, no Além. Novamente a profunda meditação o
faz caminhar suavemente em direção ao abandono simples do eterno despertar pois já
não ansiava nem mesmo buscar a Verdade. Havia conseguido, finalmente! Quando
deixou de procurar, de ambicionar, de desejar a Verdade, esta lhe surgiu, suavemente,
como que proveniente do mesmo lugar em que estivera o último véu – o ‘’Eu’’
profundo – que havia conseguido anular.

Por isto começou a ensinar e parou de perguntar.

Por isto chamaram-lhe ‘’Iluminado’’, isto é: Buda.

Sem alarde, sem presunção, sem egoísmo, Buda pôs-se a ensinar. Palmilhou
novamente os mesmos caminhos. Encontrou novamente os mesmos mosteiros e os
mesmos gurus. Mas tudo era diferente. Ele não trazia as mesmas perguntas. Ele trazia as
respostas.

E todos o chamaram de Buda (O Iluminado)

Estamos frente a estranha máquina. Em sua estranha tela coloridos personagens
se deslocam. O visor focaliza espaços e tempos que se foram. Falta ainda descobrir essa
estranha máquina , pois não é preciso inventá-la. Há muitos séculos dorme dentro de ti à
espera de ser achada. Em seu visor há longos anos um Buda partiu em busca da Verdade
na profunda noite da sua mente.

E ainda não voltou.

Religar.org

Profundo estudioso da VERDADE por trás da existência. Desde as interpretações dos ensinamentos orientais, até a crença sem sentido e limitante das religiões ocidentais, encontrei a totalidade e a plenitude satisfatória da coerência nas CARTAS DE CRISTO. Porém, antes delas, temos esse aqui exposto, revelado por Ramacheng.

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